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Quem são os EUA na guerra comercial?

14 de juljo de 2025) e o mundo ainda está tentando entender o que é poder.

Analistas se afogam em gráficos sobre PIB, tamanho do exército, superávit comercial, quantidade de portos ou reservas cambiais.

Mas tudo isso é visão de colônia. De quem enxerga o mundo com os olhos de um funcionário do Banco Mundial. De quem ainda acha que estatística faz império.

O poder real não está no que um país tem — está no que ele não precisa pedir.

Os Estados Unidos são, hoje, a única nação do planeta que pode, se quiser, desligar o mundo. E não no botão da guerra. No botão da produção, da cadeia logística, da inovação e do capital.

Enquanto a imprensa internacional aplaude o PIB da China, o verdadeiro trono está no PNB — o Produto Nacional Bruto. E aqui está o segredo: o PIB mede o que acontece dentro das fronteiras de um país, mas o PNB mede o que pertence a um povo, mesmo que esteja operando em Xangai, fabricando chips em Taiwan ou administrando uma refinaria no Oriente Médio.

Os números: império em coma que ainda lucraSegundo os dados mais recentes do Bureau of Economic Analysis (BEA) e do FMI, o PNB dos Estados Unidos ultrapassou US$ 30 trilhões em 2024. Isso representa:

• 25% do PNB mundial, com apenas 4% da população do planeta;

• Cerca de US$ 2 trilhões a mais que o PIB doméstico oficial (US$ 28 trilhões);

• Um valor superior à soma dos PNBs da China, Japão e Alemanha juntos.

Este é o retrato de um império que lucraria mesmo em coma induzido. Porque o capital americano está espalhado por todos os continentes, controlando tecnologia, finanças, propriedade intelectual e infraestrutura crítica. Agora imagine se metade disso voltasse para casa — não o lucro, mas a linha de produção inteira. As fábricas, o código, o aço, os engenheiros, o maquinário.

Não estamos falando de repatriação de capital, mas de repatriação do mundo.

Uma economia de 45 trilhões de dólares?

Se os EUA internalizassem boa parte de sua cadeia de produção (como já começa a acontecer com os CHIPS Act, Inflation Reduction Act, e novas tarifas sobre produtos da China e do Brasil), sua economia poderia atingir até US$ 45 trilhões, segundo estimativas da Brookings Institution e da Heritage Foundation. Isso com:

• Base energética autônoma (EUA são hoje os maiores produtores de petróleo e gás do mundo);

• Consumo interno gigantesco (movimenta 70% do PIB americano — mais de US$ 19 trilhões anuais);

• Inovação tecnológica dominante, com 80% da propriedade intelectual de IA e semicondutores nas mãos de empresas americanas;

• E tudo isso protegido pelo dólar, porta-aviões e pela maior aliança militar da história.

A China? SufocaO chamado “milagre chinês” não nasceu em Pequim. Nasceu em Michigan, Indiana, Kansas e no Vale do Silício, quando CEOs americanos decidiram terceirizar a espinha dorsal da produção global. O que Trump e seus aliados propõem agora é simples: essa espinha dorsal volta pra casa. E com ela, o comando central do mundo.

Enquanto isso, a realidade chinesa continua presa aos números que a elite global tenta ignorar:

• Renda per capita inferior a US$ 13 mil, contra mais de US$ 85 mil nos EUA;

• Moeda fraca e não conversível (o yuan representa menos de 3% das reservas mundiais);

• Desemprego juvenil acima de 21%;

• Crescimento artificialmente inflado por construção civil inútil, dívida pública implícita e vigilância digital;

• População em colapso demográfico (mais de 200 milhões de idosos em 2030).

A China é um colosso com pés de argila — e com caixa registrada em Wall Street.O truque imperial: não exportar por necessidade, mas por esporteO que torna os EUA inigualáveis não é apenas o tamanho — é a densidade interna de poder. Nenhuma outra nação do planeta pode prosperar sem exportar nada. Os EUA podem. Eles exportam porque querem, não porque precisam.

• 70% do PIB vem do mercado interno — um recorde absoluto na história econômica;

• Mais de 340 milhões de consumidores com alto poder de compra;

• Sistema financeiro autônomo e tecnologia proprietária;

• Capacidade militar de projeção instantânea em mais de 150 países.

E quando exportam, o fazem para nações que orbitam sua influência estratégica:

• Japão?

Protetorado elegante.

• Alemanha?

Satélite OTAN com vinho e culpa.

• Brasil?

Buffet de commodities à espera de carimbo.

• Coreia do Sul?

Base militar com Wi-Fi.

• Europa Ocidental? Museu subsidiado por Washington.

• China?

Fornecedor descartável de uma festa para a qual nunca foi convidado.

Dólar, AI e Drones: o novo triunvirato do poderO mundo ainda gira em torno de petróleo? Sim, mas cotado em dólares. O mundo ainda se comunica? Sim, mas pelos algoritmos de redes americanas. O mundo ainda se defende? Sim, mas sob a guarda de pactos assinados em Washington.

A OpenAI, a Nvidia, a SpaceX, o Google DeepMind, a DARPA, a Lockheed Martin — nenhuma dessas instituições está fora do raio de controle do Estado americano.

Não haverá terceira viaQuando o mundo acordar para isso, será tarde. Não haverá “multipolaridade”, “BRICS”, ou “ordem alternativa baseada em regras”. Só haverá órbita. E no centro dela, um país que parou de emprestar sua produção ao mundo e decidiu trabalhar para si.

Esta não é uma revolução. É uma retomada imperial, com menos desculpas, menos globalismo e mais soberania. Não é um império com toga nem turbante. É um império com tributação interna, consumo real e capacidade de fogo.

Alex Coelho Lima.

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